Causas do declínio da goiabeira

goiabeiraFungos e nematoides destroem pés de goiabaO município de São João da Barra (RJ) já foi conhecido pela qualidade de seus doces caseiros e oriundos de produção industrial — dentre os quais um dos destaques era a deliciosa goiabada. No entanto, a queda na produção da fruta — que levou à quase total eliminação das lavouras de goiaba que havia no município — alterou drasticamente este cenário. O problema chamou a atenção de um grupo de pesquisadores do Centro de Ciências e Tecnologias Agropecuárias da UENF (CCTA), que se dedicam a encontrar as causas e possíveis soluções para o problema.

Um deles é o professor Ricardo Moreira de Souza, do Laboratório de Entomologia e Fitopatologia (LEF), que há sete anos se dedica às pesquisas. O trabalho — que já rendeu cinco dissertações de mestrado e uma tese de doutorado — apontou como causa do problema a conjugação de dois fatores: o fitomenatoide Meloidogyne enterolobii e o fungo de solo Fusarium solani. Associados, os dois permitem que o fungo invada a planta e faça apodrecer todas as suas raízes, provocando rapidamente a morte do vegetal.

O "declínio da goiabeira", como foi denominada esta nova doença, é uma grande preocupação de toda a sociedade. Isto porque a doença vem afetando não só o Norte Fluminense, como diversas outras partes do país, acarretando sérios prejuízos econômicos aos pequenos produtores rurais. A questão vem sendo alvo de pesquisas em várias regiões do país.

— O problema já matou entre 6 e 7 mil hectares de goiabeiras em todo o Brasil. Em São João da Barra, os produtores abandonaram a lavoura e isso logicamente teve grandes reflexos na agroindústria — afirma Ricardo, acrescentando que as pesquisas devem ajudar a descobrir uma forma de controlar o problema, possibilitando a retomada da produção de goiaba em todo o país.

O trabalho tem participação de outros três professores da UENF: Silvaldo Felipe da Silveira, que também atua no LEF; Alexandre Pio Viana, do Laboratório de Melhoramento Genético Vegetal (LMGV); e Cláudia Sales Marinho, do Laboratório de Fitotecnia (LFIT).

Fonte: Ciência UENF, 08/09/14