04/05/18

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Campos dos Goytacazes (RJ), sexta-feira, 04 de maio de 2018 – Nº 3.795

Um mega-habitat submerso

Pesquisadores descobrem “corredor” de recifes de corais no fundo do oceano, entre o Maranhão e o Amapá

Todo mundo sabe que a Floresta Amazônica abriga um dos ecossistemas mais ricos do planeta. Mas o que muitos não imaginam é que essa biodiversidade vai muito além da floresta. Em artigo publicado semana passada na revista Frontiers in Marine Science, cientistas relatam a descoberta de um mega-habitat submerso no Oceano Atlântico, a aproximadamente 130 quilômetros da costa e a uma profundidade de 500 metros entre o Maranhão e o Amapá.

O artigo, publicado em 23/04/18, despertou tanto interesse da comunidade científica internacional que em apenas dois dias bateu o recorde de visualizações e downloads da revista: cerca de 400 mil. Um dos autores da pesquisa é o professor Carlos Eduardo de Rezende, que atua no Laboratório de Ciências Ambientais do Centro de Biociências e Biotecnologia da UENF (LCA/CBB).

Segundo Rezende, esse mega-habitat é formado por recifes de corais, constituindo uma espécie de corredor submerso. Até onde os pesquisadores puderam analisar, a área deste “corredor” é da ordem de 56 mil quilômetros quadrados. Mas há indícios de que ele seja muito maior, chegando até o Caribe.

— Trata-se de um ecossistema único até agora encontrado no Brasil, que abriga uma grande riqueza da fauna e flora, além de recursos minerais — afirma Rezende, que assina o artigo “Perspectives on the Great Amazon Reef: Extension, Biodiversity, and Threats” ao lado de pesquisadores de diversas instituições brasileiras e do Greenpeace.

As pesquisas tiveram início em 2015, numa parceria com as universidades americanas de Washington e da Geórgia. O interesse dos pesquisadores americanos era estudar o fictoplancton (pequenos organismos que vivem nos oceanos e possuem o mesmo papel das florestas: fazem fotossíntese e são os responsáveis pela produtividade primária do oceano). Mas os brasileiros resolveram ir além e estudar os sedimentos de fundo também.

Professor Carlos Eduardo de Rezende

— Já havia sido relatada a ocorrência de um parcel (material rochoso) em frente ao Pará e Maranhão. Durante a campanha que fizemos entre Barbados e Belém observamos algumas formações calcáreas, que a gente chama de rodolitos, numa extensão muito grande. Inclusive com a ocorrência de algumas espécies que caracterizariam a ocorrência de uma formação coralina – relata o professor.

A amostragem inicial foi muito pequena e, uma vez encerrado o trabalho com os americanos, os brasileiros resolveram realizar uma segunda campanha, desta vez com o navio da Marinha Brasileira. O primeiro artigo “An extensive reef system at the Amazon River mouth”, foi publicado na revista Science Advances, e teve grande projeção internacional, despertando o interesse do Greenpeace.

— O primeiro artigo foi publicado em 2016, e descreve a ocorrência desse recife de coral e de algumas espécies. Fizemos essa primeira estimativa de ocorrência tentando delimitar o banco, mas tínhamos pouquíssimas informações. A partir da parceria com o Greenpeace nós estendemos essa avaliação porque conseguimos com eles um aporte maior de equipamentos que permitiram ampliar as pesquisas — conta Rezende.

A primeira expedição com o navio do Greenpeace, o Esperanza, foi realizada em janeiro de 2017. A segunda começou em 02/04 de 2018 e deve se encerrar em meados de maio/2018. O trabalho com o Greenpeace permitiu reconstruir topograficamente o fundo do oceano e estabelecer as fronteiras do recife de coral ao longo da região. Também está sendo possível filmar, pela primeira vez, o local, com a ajuda de um submarino.

Exploração de petróleo – As descobertas lançam luz sobre os riscos da exploração de petróleo naquele local. A área em questão foi leiloada e hoje está cedida para exploração à empresa Total, que em seu estudo de impacto ambiental não menciona a existência dos recifes de coral. O Ministério Público do Amapá entrou com ação civil pública para suspender a licença de exploração. Já houve uma audiência pública no Congresso Nacional e o Ibama mandou refazer os estudos ambientais.

— Eles deveriam refazer o EIA-RIMA sob uma supervisão científica de melhor qualidade. Não apenas em função deste mega-habitat recém-descoberto, mas também dos manguezais que existem naquele local. Um vazamento prejudicaria milhares de espécies — chama a atenção o professor.
Rezende ressalta que a pesquisa foi realizada praticamente sem apoio governamental. Ele lembra que a Faperj e o CNPq não pagam nenhum projeto de pesquisa desde 2015.

— Nossa expectativa era de que conseguíssemos um apoio mais efetivo por parte do governo brasileiro. É um projeto que tem tido uma repercussão internacional fantástica, mas infelizmente a gente não tem tido apoio suficiente aqui no País — disse.

Veja os artigos :

Frontiersin Marine Science
Science ADvances

Veja também os vídeos sobre o assunto:


 

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