17/04/18

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Campos dos Goytacazes (RJ), terça-feira, 17 de abril de 2018 – Nº 3.787

 Reitor da UENF recebe a Medalha Tiradentes

O deputado Waldeck Carneiro (à esquerda) entregou o diploma ao reitor Luis Passoni.

Em cerimônia realizada ontem à noite, no Centro de Convenções Oscar Niemeyer, o reitor da UENF, Luís Passoni, recebeu a mais alta honraria concedida pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro: a Medalha Tiradentes. A outorga da Medalha Tiradentes foi feita pelo deputado Waldeck Carneiro, autor da indicação do nome do reitor da UENF, aprovada por unanimidade pela Alerj. Após a entrega da Medalha, o professor Emir Sader (Uerj), proferiu a palestra “A crise hegemônica no Brasil contemporâneo”. Os eventos integraram a programação de abril pelos 25 anos da UENF.

O deputado Waldeck Carneiro destacou que a escolha do reitor da UENF para receber a Medalha Tiradentes se reveste de grande importância diante do atual cenário das Universidades do Estado.

– O Brasil vive sob uma violenta ruptura democrática, que tem tido consequências deletérias para os brasileiros. O Rio de Janeiro sofre ainda mais porque agrega à crise nacional a sua crise particular. O Estado vive um momento dramático, de completo descalabro, sob duas intervenções: uma militar, na área de segurança pública, e outra na área das finanças públicas. A fatura dessa crise vem sendo apresentada ao serviço público. É nesse cenário que as universidades fazem resistência – afirmou.

Lembrando o momento de turbulência pelo qual passam as universidades estaduais – reflexo do que acontece no Estado e no País -, o reitor da UENF agradeceu a homenagem e disse que a escolha de seu nome é o resultado do trabalho que vem sendo desenvolvido pela Reitoria, com a ajuda de toda a comunidade, tanto interna quanto externa à Universidade.

O deputado Waldeck Carneiro fez a outorga da Medalha ao reitor.

– Este é um momento de muita alegria para nós. Essa medalha é fruto de todos vocês, que apoiam a Universidade. No fim do ano passado pudemos ter uma prova disso quando conseguimos aprovar, com a ajuda da sociedade campista, a PEC 47, instituindo os duodécimos para as universidades. Agora estamos lutando para conseguir efetivamente receber os duodécimos. Não tem sido fácil, mas vamos continuar caminhando. A UENF é eterna! – disse o reitor.

Instituída pela Resolução nº 359 de 08/08/1989, a Medalha Tiradentes é entregue uma vez por ano e se destina a premiar pessoas que prestaram relevantes serviços à causa pública no Estado do Rio de Janeiro. A cerimônia contou com a presença de membros da comunidade interna e externa, como o deputado estadual Bruno Dauaire e o presidente da Câmara Municipal de Campos, vereador Marcão.

Também participaram do evento o coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros, José Maria Rangel; o coordenador geral do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense, Tezeu Bezerra; o representante do deputado federal Wadih Damous, Cláudio Jorge; o presidente da OAB/Campos, Humberto Nobre; o representante do deputado estadual Comte Bittencourt, Sérgio Mendes; o representante do presidente da Fundenor, Sérgio Linhares; o diretor do Colégio Agrícola, Marcelo Almeida; o diretor do Sindipetro/NF, Rafael Crespo, entre outros.

Emir Sader faz defesa acalorada de Lula em palestra na UENF

Emir Sader falou sobre”A crise hegemônica no Brasil contemporâneo”

Ao iniciar sua palestra, intitulada “A crise hegemônica no Brasil contemporâneo”, o professor Emir Sader, diretor do Laboratório de Políticas Públicas da Uerj, revelou que estava “duplamente emocionado” por estar na UENF: em primeiro lugar pelos vínculos estreitos que teve com Darcy Ribeiro, idealizador da Universidade. “Em segundo lugar porque, como brasileiro, todos nos sentimos violentados pelo assassinato de Marielle e a prisão de Lula. É degradante, ofensivo o que estão fazendo com o presidente do período mais virtuoso do Brasil”, disse.

Em seguida, o professor fez uma descrição histórica dos dois modelos hegemônicos antagônicos que estiveram presentes no Brasil nas últimas décadas. O primeiro tomou por base o Consenso de Washington e teve nas figuras dos ex-presidentes Fernando Collor de Melo e Fernando Henrique Cardoso seus defensores. Segundo Sader, ambos conseguiram convencer a sociedade brasileira de que o Estado era o “problema”. A partir daí, abriram a economia ao mercado externo e privatizaram as empresas públicas.

– Com Collor começou o ataque ao servidor público, que era chamado de “marajá”. Houve também o ataque aos produtos nacionais. Automóveis fabricados no Brasil foram chamados por ele de “carroças”. Com Fernando Henrique surge a ideia de que é preciso ajustar as finanças como condição para a retomada do crescimento e distribuição de renda. Esse movimento não foi só no Brasil, mas em vários países da América do Sul – disse.

Segundo o professor, este modelo desviou a atenção dos principais problemas do País – como a pobreza e a desigualdade – para a gestão do estado. No entanto, o equilíbrio das contas públicas não reverteu em melhorias para o povo brasileiro. É neste momento, segundo Sader, que Lula consegue convencer a sociedade de que a questão principal no Brasil é social, propondo recuperar o caráter ativo do Estado como indutor do crescimento, ao invés de colocar a centralidade no mercado.

– Foi isso que o fez ganhar quatro eleições. A sociedade começou a perceber os resultados. E não só no Brasil, mas nos países vizinhos também houve diminuição da pobreza. Na contramão do neoliberalismo que domina o mundo, na contramão do que acontecia na maior parte do mundo, o Brasil conseguiu tirar da miséria mais de 30 milhões de pessoas e desenvolver politicas sociais inovadoras, gerando o período mais virtuoso da história do Brasil, consolidado por quatro vitórias em que os dois modelos disputavam a hegemonia – afirmou.

Na visão de Sader, existe hoje uma crise hegemônica em escala mundial. Ele observou que o eixo da economia mundial, atualmente, é o capital financeiro, que vive da compra e venda de papéis, ou seja, tem caráter meramente especulativo e não produtivo. O capitalismo mundial, segundo ele, está recessivo, bem diferente do capitalismo do pós-segunda guerra, quando era produtivo. “Os banqueiros estão dirigindo a economia do mundo”, disse.

– No Brasil não há nenhum projeto sério de retomada de crescimento. Quem foi eleita pra governar não conseguiu, quem está no governo não consegue governar. É a mais comprida e prolongada crise. O Poder Legislativo exorbita de suas funções e o Judiciário não cuida da Constituição. Não é um golpe como o de 1964. Aquele era militar. Agora a estratégia é a corrosão da democracia por dentro, com a criminalização das lideranças em combinação com os meios de comunicação, conivência do Judiciario e do Parlamento, eleito pelo poder econômico – disse Sader, que criticou veementemente todo o processo de condenação do ex-presidente Lula, afirmando que não houve provas de sua culpabilidade.

Graduado em Filosofia, mestre em Filosofia Política e doutor em Ciência Política pela USP, Emir Sader atuou como professor da mesma universidade nas áreas de Filosofia e Ciência Política. Foi pesquisador do Centro de Estudos Socioeconômicos da Universidade do Chile e professor de Política da Unicamp. Atualmente, atua como diretor do Laboratório de Políticas Públicas (LPP) da Uerj, onde é professor de Sociologia. Atua também como secretário executivo do Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales.

Emir Sader possui experiência na área de Ciência Política, com ênfase em Estado e Governo. Colabora com publicações nacionais e estrangeiras, sendo membro do conselho editorial do periódico inglês New Left Review e um dos organizadores do Fórum Social Mundial. De 1997 a 1999, foi presidente da Associação Latinoamericana de Sociologia (ALAS).

Dentre mais de 30 livros escritos, Emir Sader é autor de “10 Anos de Governos Pós-neoliberais no Brasil – Lula e Dilma”, “Século XX, uma biografia não autorizada“, “A transição no Brasil: da ditadura à democracia?”, “Da independência à redemocratização“, “O mundo depois da queda” e “Vozes do Século“.

 

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 Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF)

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