27/03/18

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Campos dos Goytacazes (RJ), terça-feira, 27 de março de 2018 – Nº 3.781

UENF abre as comemorações por seus 25 anos

Passoni (ao centro), Teresa e Kátia (à direita), Olney e Érica.

A UENF completa 25 anos de existência em 16/08/18, mas os eventos comemorativos já começaram. A abertura oficial dos 25 anos ocorreu na tarde da última segunda-feira, 26/03/18, no Centro de Convenções Oscar Niemeyer, com a presença de membros da Reitoria e dos Centros, alunos, técnicos e docentes da Universidade, além de convidados.

O evento teve início com a apresentação, pelo gerente de Comunicação, Marco Antônio Moreira, da logomarca dos 25 anos da UENF, que será utilizada em produtos como adesivos e camisas, bem como em toda a papelaria e cartazes confeccionados dentro da Universidade.

— O conceito da logomarca é que vencemos até aqui duas barreiras históricas: o tempo e a desconfiança inicial. Mas continuamos construindo a história da Universidade — disse.

Representando as três Pró-Reitorias da UENF, o professor Olney Motta Vieira, pró-reitor de Extensão e Assuntos Comunitários, disse que se sente muito honrado e feliz em comemorar os 25 anos da Universidade.

— Essa felicidade é traduzida pelo que já conquistamos: nossa qualidade e compromisso com a região — afirmou.

A diretora do Centro de Biociências e Biotecnologia (CBB), Kátia Valevski Fernandes — que representou os diretores dos quatro Centros da Universidade — disse que os 25 anos da UENF se confundem com o início da trajetória acadêmica de muitos docentes da instituição.

— Essa Universidade nunca foi pouco ousada, tímida. É esse o espírito que a gente quer que permaneça. Essa é a nossa missão — disse.

Ex-aluna da UENF, a professora Érica Tavares, do Departamento de Ciências Sociais da UFF, destacou duas potencialidades da Universidade: o acesso a oportunidades e o desenvolvimento regional. Para ilustrar as oportunidades que a UENF oferece, ela lembrou de sua própria trajetória.

— Eu vinha estudar de bicicleta ou a pé, porque não tinha dinheiro para pagar a passagem de ônibus. Mas tive a chance de estudar com professores brilhantes, participar de muitas pesquisas que me fizeram conhecer de perto a realidade da região, e hoje sou professora da UFF — disse.

A vice-reitora da UENF, Teresa Peixoto, também relatou sua história pessoal, lembrando que quando entrou na UENF era uma das poucas campistas professoras na Universidade.

— Estudei no Iepam e no Liceu, como muitos campistas. Depois fiz faculdade no Rio e, com a UENF, pude retornar a Campos e contribuir para a Universidade — disse Teresa.

Teresa também fez um emocionado discurso contra as denúncias de assédio dentro do campus da UENF, veiculadas pela imprensa. Ressaltando que a Universidade deve ser um lugar de diversidade, onde todos devem ser respeitados, ela afirmou que, caso confirmadas as denúncias, tudo será feito para que não passem em branco.

— Lutamos muito para chegar onde chegamos. Este ano que passou foi muito difícil e tivemos que contar com todos para manter a Universidade erguida. Estamos aqui juntos com vocês para transformar esta cidade e o nosso País. Esse é o nosso papel e não vamos abrir mão dele — disse.

O reitor da UENF, Luís Passoni, disse que os 25 anos são um bom momento para se pensar no que já aconteceu, o que está acontecendo no momento e o que a comunidade quer que aconteça à Universidade. Segundo Passoni, a UENF tem muito o que comemorar, no entanto, ainda há muita coisa a ser feita.

— A UENF ainda não está completa, pois ela seria o dobro do que é hoje. Ela foi projetada para ter 600 docentes e hoje temos menos de 300. Nos últimos dois anos, não temos conseguido realizar concurso para suprir as vagas em aberto — disse.

Marco Antônio apresentou a logomarca dos 25 anos

A respeito do mote “Eu faço parte dessa história” — criado para marcar os 25 anos da UENF —, Passoni disse que atualmente a Universidade está completamente integrada à comunidade campista. Segundo ele, mesmo quem não está dentro da UENF faz parte da sua história. Ele lembrou que, por ocasião da votação da PEC dos duodécimos, foram obtidas 15 mil assinaturas em duas semanas.

— A lei foi aprovada no final do ano, mas até agora não recebemos nenhuma parcela dos duodécimos. No momento, estamos lutando para colocar a lei em efetividade. Assim como em relação aos 600 docentes, a lei mais uma vez não é cumprida. Esta parece ser a nossa sina: de batalha em batalha, vamos avançando — disse.

O reitor também destacou o papel da Universidade na formação de recursos humanos, lembrando que, se hoje Campos é o maior polo universitário fora da capital do Estado, isso se deve à UENF. Ele observou que tanto as instituições públicas quanto privadas de Campos hoje têm vários professores que passaram pela UENF.

Passoni ressaltou ainda o pioneirismo da UENF nas políticas afirmativas, essenciais no contexto da região. Lembrou que, quando a Faperj criou a verba descentralizada, a Universidade optou por utilizá-la em bolsas para seus estudantes. Hoje a UENF é uma das que mais oferecem bolsas a seus alunos.

Palestrantes abordam perda de poder da capital

A vice-reitora Teresa Peixoto apresentou os palestrantes

Na parte da noite, os professores Laurent Vidal, da Universitè de la Rochelle/CRHIA, e Rafael Soares Gonçalves, do Departamento de Serviço Social da PUC-Rio, ministraram a  palestra “As lágrimsa do Rio: ontem e hoje, a perda de poder de uma capital”.

Em sua fala, Laurent lembrou os últimos dias do Rio de Janeiro como capital do Brasil, no ano de 1960, traçando paralelos com os tempos atuais. Ressaltou, entre outras coisas, que o então presidente da República, Juscelino Kubitschek, chegou ao poder depois de um “golpe legal” e que não tinha recebido a maioria dos votos no Rio de Janeiro. No entanto, foi hábil na “teatralização” ao transferir a capital para Brasília sem despertar a ira da população da cidade do Rio de Janeiro — que na época já contabilizava 800 favelados.

— Ele foi um dos primeiros a utilizar “conselheiros de comunicação”. Estes disseram que ele só deveria inaugurar Brasília se houvesse uma “despedida” do Rio — disse, acrescentando que, a partir daí, uma série de eventos são realizados com o intuito de apaziguar os ânimos.

Laurent Vidal (esquerda) e Rafael Soares ministraram palestra

Em sua fala, Rafael Soares buscou contextualizar os fatos que fizeram o Rio de Janeiro chegar à intervenção federal. Segundo ele, nos últimos anos se consolidou o entendimento de que “a cidade faliu” e, como consequência, surgiu a proposta de reconstrução da cidade a partir da realização de grandes eventos.

— Remodelar as cidades desta forma não é uma ideia nova, teve uma história anterior, com as grandes exposições universais. A Torre Eiffel, por exemplo, não existiria se não fosse uma exposição. Ela deveria ter sido desmontada após o evento, mas acabou ficando — disse.

Segundo Rafael, o Rio de Janeiro viveu períodos de euforia nos últimos anos, com a realização de diversos eventos internacionais, como os jogos pan-americanos, a Rio+20, a jornada dos jovens com o papa, a copa das confederações, culminando com as olimpíadas em 2016. No caso das olimpíadas, o governo federal teve que injetar dinheiro para que o evento ocorresse.

— Os impactos estruturais para que se consiga preparar uma cidade para duas semanas de olimpíadas são muito maiores. Ocorrem modificações profundas na cidade. Mas a questão temporal acaba justificando uma série de investimentos, muitos deles feitos de maneira errônea, que não vão atender à cidade posteriormente — afirmou.

 

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 Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF)

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