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Campos dos Goytacazes (RJ), quarta-feira, 29 de novembro de 2017. Nº 3.750

Ovos do Aedes aegypti sobrevivem mais por causa da melanina

Pesquisa da UENF mostra que, quanto mais escura for a casca do ovo, mais tempo ele sobrevive em ambientes secos

Fêmea adulta, ovo e larva de Aedes aegypti

Dentre os ovos dos vários gêneros de mosquitos, o de Aedes é um dos que conseguem sobreviver por mais tempo fora d’água — até um ano. Este é um dos motivos por que tem sido tão difícil o seu controle, o que se traduz na proliferação de doenças das quais o Aedes aegypti é o vetor, como a dengue, a Zika, a febre amarela e a chikungunya. Uma pesquisa feita pela UENF em colaboração com o Instituto Oswaldo Cruz  (IOC) na Fiocruz do Rio de Janeiro e a Universidade da Flórida, EUA, pode ser um passo importante, no futuro, para o controle desse mosquito. O estudo foi coordenado pelo professor Gustavo Lazzaro Rezende, do Centro de Biociências e Biotecnologia (CBB), e pela pesquisadora Denise Valle, do IOC, e contou também com a participação da dra. Luana Farnesi (IOC) e da doutoranda Helena Vargas, do Programa de Pós-Graduação em Biociências e Biotecnologia da UENF). Eles mostraram porque o ovo do Aedes aegypti é tão resistente: a causa está na melanina, substância que confere a cor escura às cascas dos ovos.

Gustavo Lazzaro Rezende

A pesquisa, publicada na conceituada revista científica PLOS Neglected Tropical Diseases, mostra que, quanto mais escura a casca do ovo, mais tempo ele resiste no ambiente seco. Em um estudo anterior, o grupo de pesquisa já havia descoberto qual o mecanismo biológico que confere a impermeabilidade aos ovos de mosquitos: trata-se da cutícula serosa, uma fina membrana que se desenvolve por baixo da casca, envolvendo todo o embrião. Até a formação desta membrana — que ocorre por volta das 15 horas após a oviposição — o ovo continua perdendo água se transferido para ambientes secos. Mas, depois desse período, os ovos simplesmente não perdem mais água, tornando-se impermeáveis.

No entanto, essa proteção conferida pela cutícula serosa varia entre as espécies. Os ovos dos mosquitos dos gêneros Anopheles (transmissores de malária) têm um tempo de sobrevivência em ambientes secos de cerca de um dia, ou seja, bem menor dos que o de Aedes, enquanto os do gênero Culex (que transmitem filariose) sobrevivem por um período ainda menor, de cerca de cinco horas. O objetivo da pesquisa foi justamente descobrir por que isso acontece.

— No trabalho, mostramos que essas diferenças estão relacionadas com o grau de melanização da casca dos ovos (a melanina é um pigmento escuro, também encontrado na pele humana). Quanto mais escuros os ovos, mais eles resistem no seco. Confirmamos que a melanina aumenta a sobrevivência dos ovos fora d’água estudando um mosquito mutante que não melaniza corretamente — afirma Gustavo, acrescentando que a proteção conferida pela melanina depende da formação da cutícula serosa.

Veja o artigo aqui.

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Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF)

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