21/08/17

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Campos dos Goytacazes, segunda, 21 de agosto de 2017. Nº 3.717

António Nóvoa: conferência na UENF é ‘ato de solidariedade’ ao Brasil

Professor da Universidade de Lisboa abordou o futuro das Universidades 

“Minha presença aqui hoje é também um ato de solidariedade para com o Brasil e , especialmente, para com o Estado do Rio de Janeiro”. Foi desta forma que o professor António Nóvoa, da Universidade de Lisboa, encerrou a conferência intitulada “Universidade, para onde vais?”, assistida por um grande número de alunos e professores, no Centro de Convenções da UENF. Devido ao mau tempo, Nóvoa não pôde vir de avião para Campos, sendo obrigado a fazer o percurso de carro. Mas o atraso – cerca de uma hora e meia – não diminuiu o entusiasmo do palestrante, muito menos da plateia.

Respondendo ao título da palestra, Nóvoa disse que “as universidades estão indo por caminhos difíceis, complicados”. Ele afirmou que as universidades, em todo o mundo, estão vivendo uma “metamorfose” –  intimamente relacionada à expansão do ensino universitário – e que não ficarão iguais nos próximos anos. Dentro de pouco tempo, ressaltou, os dois primeiros anos do ensino superior se tornarão obrigatórios. Com isso, mais de 300 milhões de pessoas, em todo o mundo, estarão na universidade, o que representa cerca de 5% da população mundial.

– Sabemos que uma das maiores mudanças que a revolução digital trouxe para a sociedade foi na forma de aprender. Então, é hora de a Universidade se interrogar sobre o sentido do campus universitário. Será que esse modelo de ensino ainda faz sentido? É preciso reequilibrar as universidades, porque elas têm estado muito desequilibradas – disse.

Segundo o palestrante, o equilíbrio das universidades está relacionado a quatro palavras iniciadas pela letra “e”: empregabilidade, empresarialização, excelência e empreendedorismo. Estas quatro palavras, segundo Nóvoa, devem ser vistas numa outra perspectiva.

No que se refere à empregabilidade, ele disse que não se deve ter em mente apenas a formação para o mercado de trabalho. Mas, em vez disso, buscar uma “educação ampla, científica e cultural”, capaz de formar cidadãos aptos “para empregos que ainda vão existir”. Em outras palavras, a Universidade precisa preparar seus estudantes para um outro mundo que ainda virá.

Em vez de buscar a empresarialização das universidades, é preciso, segundo ele, criar “espaços de participação e partilha”. Na sua opinião, a ideia de que as universidades serão mais eficientes se forem administradas como empresas não passa de um mito, ligado a interesses econômicos cada vez mais fortes.

– É preciso ter a clara noção de como isso pode matar o coração da universidade. Ela só é útil porque é uma instituição onde se pode pensar o que não se pensa em outros locais. No dia em que a universidade funcionar como uma empresa, ela deixa de fazer qualquer sentido – afirmou.

Em vez de buscar a “excelência” através de rankings ligados à produtividade em pesquisa, as universidades, segundo o palestrante, devem fortalecer a ligação entre ensino e pesquisa. Ele criticou a ênfase atual no produtivismo acadêmico, que, segundo ele, muitas vezes faz com que os professores façam coisas sem sentido, como reproduzir ao máximo os mesmos conteúdos das pesquisas com roupagens diferentes, apenas para angariar mais pontos.

– O professor precisa parar de achar que dar aula é perda de tempo. Estamos perdendo aquilo que é o segredo da universidade. Ou seja, a ideia de que somos capazes de fertilizar o ensino com a pesquisa que fazemos, assim como de fertilizar a ciência com a relação que temos com os nossos alunos – disse.

Ele afirmou ainda que é preciso parar de incentivar o empreendedorismo dentro das universidades, substituindo esta ideia pela de “compromisso público da universidade”. Segundo Nóvoa, a produção de conhecimento que se deve esperar de uma universidade é justamente aquela que ainda não tem valor econômico.

– Nenhuma das tecnologias de hoje teria sido possível se, ao longo dos últimos 40 anos, não tivesse ocorrido a produção de conhecimentos que, na época, não se sabia exatamente para que serviriam. Se a universidade se tornar o local onde só se busca o que tem valor econômico imediato, também perde o sentido – disse.

 

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