29/05/17

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Campos dos Goytacazes, terça, 29 de maio de 2017. Nº 3.686

Um dia histórico

As aventuras de um estagiário da ASCOM UENF no ato do dia 24/05 em Brasília-DF

 ​Dia 18 de maio de 2017, Nickolas Abreu, estudante de Jornalismo do Centro Universitário Fluminense (UNIFLU) e estagiário da Universidade Estadual do Norte Fluminense, recebe o convite do Sindicato dos Metalúrgicos de Campos para acompanhar a caravana e gravar um documentário sobre a Marcha dos Trabalhadores a Brasília. Entusiasmado e decidido a encarar as quase 52 horas de viagem totalizadas dentro de um ônibus, Nickolas consegue o apoio de familiares, de amigos e das universidades rumo ao ato. Dias antes de embarcar, o estudante pensa no quanto a viagem irá lhe proporcionar a convivência com trabalhadores de todas as partes do país, as histórias que terá e, principalmente, a sensação única de que está contribuindo para o processo democrático brasileiro durante o manifesto.
Finalmente, a ansiedade fica de lado, e o dia 23 de maio chega. Às 9h, a caravana com cerca de 40 passageiros deixa Campos rumo à capital federal. Além do ônibus do Sindicato, mais dois têm o mesmo destino. São estudantes, trabalhadores, sindicalistas, familiares e, ele, como jornalista, que representam a maior cidade do Norte Fluminense em uma data histórica. Entre os 1.500km que separam Campos e Brasília, Nickolas observa atentamente o comportamento dos passageiros, registra depoimentos, a rotina e todo o trajeto percorrido da planície goytacá ao planalto central. Algumas cidades importantes ficam pelo caminho como Viçosa, Ouro Preto, Belo Horizonte, Luziânia e Valparaiso de Goiás.

Amante do audiovisual e fascinado por vislumbrar as paisagens, e toda a mudança de rotina proporcionada pela estrada, Nickolas consegue no seu trabalho unir suas principais paixões. A sua felicidade está estampada nos seus olhos, e ele não consegue esconder a realização pessoal. A distância entre as cidades não aparenta ser um obstáculo, e sim, um convite a mais para seguir em frente. Após uma madrugada inteira no ônibus, com três paradas apenas para realizar as refeições e necessidades, os trabalhadores chegam ao destino às 10h30. Ônibus de todas as partes do país também têm todos os caminhos levando a Brasília. O início do ato está marcado para o período da tarde. Enquanto isso, Nickolas aproveita para registrar algumas fotos da cidade, dos movimentos sociais presentes e entrevista um ambulante, que aproveita a movimentação para fazer seu “ganha pão”.

A beleza arquitetônica de Brasília, os prédios projetados por Oscar Niemeyer, são um atrativo e tanto. A Catedral, o Teatro Nacional e o Planalto são alguns dos locais visitados pelo jornalista. Diante da comoção dos manifestantes, a Marcha começa um pouco antes do previsto. Às 11h30, os trabalhadores começam a caminhar os 5km que separam o Estádio Mané Garrincha (concentração) do Palácio do Planalto. O sol e o clima seco da capital federal aparecem, mas não desanima os participantes. Com um chapéu “pescador”, Nickolas consegue uma sombra e entra no meio da Marcha, disposto a encarar todas as adversidades para contar depois todas as histórias do que viu por lá. A multidão o impressiona. Não é possível visualizar o fim da avenida e ter a exatidão de onde tem início o ato. A Polícia Militar divulga 150 mil pessoas, mas os olhos do estudante não admitem precisar esses números. Ao menos 300 mil estavam ali, como ressalta.

Depois de cerca de 30 minutos de caminhada, Nickolas observa um “guarda corpo” que separa os policiais dos manifestantes bem na frente da Praça dos Três Poderes. Fica claro, para ele, o quanto a repressão realmente existe. Fica também a reflexão de que, quando um patrimônio público passa a ter o acesso restrito pela população, é porque realmente o jogo se inverteu, e quem dá as cartas não é mais o povo. Aproveitou enquanto os ânimos ainda estavam brandos e fez algumas fotos em frente aos policiais. Parecia prever que, alguns minutos depois, enquanto deixava o espaço destinado aos fotógrafos,  iriam acontecer atos radicais. Sentiu o forte cheio do gás de pimenta e participou de um corre-corre dos manifestantes. Entre eles, estavam idosos, famílias com crianças, não eram apenas os mais radicais que participavam.

De perto, constatou o quanto a grande mídia não diz a realidade dos fatos. A confusão ocorreu em parte do ato e não por completo. Não havia apenas 45 mil pessoas, como alguns veículos de comunicação divulgaram. Ficou, acima de tudo, também, a realidade de que o Brasil não tem o controle sobre si mesmo, ou seja, o controle do país não está nas mãos dos estudantes, professores, trabalhadores, classe média, pobres, idosos, de fato, quem constrói o país. O Brasil está segregado totalmente. Aqui apenas a grande burguesia se beneficia, e a hipocrisia de quem finge não acreditar se prolifera.

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Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF)

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