13/11/13

Informativo da UENF

Campos dos Goytacazes (RJ), terça-feira, 13 de novembro de 2013 – Nº 3.204

Um tupinikim na Universidade

Cristiano Pajehu

Cristiano Pajehu na aldeia em Aracruz (ES)

Ele nasceu na aldeia Caieiras Velhas, a cerca de 380 km de Campos dos Goytacazes, mas a distância — não só física como cultural — não o impediu de correr atrás do sonho de se tornar engenheiro agrônomo. Pertencente à tribo Tupinikim, localizada no município de Aracruz, no Espírito Santo, Cristiano Fraga Pajehu, 32 anos, é o primeiro aluno indígena a se formar na UENF — e o primeiro de sua tribo a obter um diploma em uma universidade pública.

Mas até chegar à UENF — onde ingressou em 2008 e se formou este ano — Pajehu teve que superar muitos obstáculos, como por exemplo a falta de escolas próximas à sua aldeia.  O ensino médio/técnico em agropecuária foi feito na Escola Família Agrícola de Olivânia (Efao), situada em Anchieta, a 170 quilômetros de Aracruz. Depois, Pajehu cursou Administração de Empresas nas Faculdades Integradas de Aracruz (Faacz).

O agora engenheiro agrônomo diz que o fato de já ter uma graduação não o fez acomodar quando entrou na UENF. O sonho de Pajehu, desde muito cedo, era fazer Agronomia e, assim, poder ajudar seu povo quanto à melhor maneira de produzir alimentos.

Pajehu conta que sempre trabalhou dentro das aldeias, prestando serviço como autônomo ou empregado. Na época em que fazia o curso técnico, ficava uma semana em casa e outra semana na escola, no sistema de metodologia de alternância. Quando estava em casa, desenvolvia projetos comunitários.

— Eu fui estudar na UENF com o intuito de voltar assim que terminasse o curso, e por isso  estou de volta. Espero que os meus conhecimentos possam realmente proporcionar uma vida melhor para o meu povo — diz.

De volta à aldeia, Cristiano aguarda a oportunidade de desenvolver seu trabalho com a comunidade, sobretudo apresentando alternativas para o extrativismo da aroeira, planta nativa da região. Ele tem projetos para o cultivo da planta, com o objetivo de dar mais segurança para o agricultor.

— No extrativismo, a gente colhe num ano e às vezes passa até dois anos sem colher. Penso em ensinar como é possível cultivar a aroeira e, assim, obter uma renda mais satisfatória — diz Cristiano, que, como os demais indígenas, recebeu apoio da Fundação Nacional do Índio (Funai) para estudar.

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