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Editorial

[v.5, n.3, set-dez/2011]

Este número 3, do volume 5, fecha um ciclo de publicação da Agenda Social em seu atual formato, representando o marco de milha para sua renovação, pois, a partir do próximo número, este periódico já se apresentará sob novo formato eletrônico, conquistando maior agilidade na publicação dos textos e se situando nos recursos disponibilizados pelas conquistas tecnológicas, que nos desafiam a acompanhar sua acelerada marcha, o que, de certo modo, nos é cobrado pelos nossos colaboradores e pelas normas que se impõem no mundo editorial acadêmico.

No entanto, mantém-se ainda, neste número, a linha editorial que tem caracterizado esta publicação, apresentando pesquisas e artigos que configuram a diversidade e a multiplicidade de abordagens e perspectivas no campo das ciências humanas e sociais, acolhendo a reflexão de seus colaboradores, atuantes em diferentes áreas de formação, bem como vinculados a instituições das esferas pública e privada localizadas em diferentes regiões do país.

Clélia de Freitas Capanema e Gabriela de Sousa Rêgo Pimentel abordam o Pré-vestibular-Programa Universidade para Todos, em Barreiras-BA, analisando o grau de satisfação dos estudantes com os resultados alcançados. Trata-se de um programa mantido pelo Governo do Estado da Bahia, em parceria com as Universidades Estaduais. As autoras partem da premissa de que os estudantes com melhores condições socioeconômicas têm mais facilidade de ingressar em instituição de educação superior, asseverando que a desigualdade de oportunidades de acesso a esse nível de educação é construída durante toda a história escolar dos indivíduos, o que demanda políticas públicas efetivas para o enfrentamento do problema da exclusão social nutrido por essa desigualdade.Os resultados da pesquisa indicam o grau de satisfação dos alunos do Programa e lhes permite afirmar que o Programa alcança o seu objetivo de democratizar o acesso dos alunos de baixa renda à educação superior, atingindo positivamente o público alvo.

O artigo “Políticas Lingüísticas: análise de polêmica pública em torno da adoção de livro de ensino de português para jovens e adultos pelo MEC”, de Eliana Crispim França Luquetti e Sérgio Arruda de Moura, analisa o papel da escola na definição de uma política do ensino de línguas baseada no multiculturalismo. Partindo da polêmica lançada pela imprensa, que acusa o Ministério da Educação de comprar alguns manuais didáticos de português, dirigidos aos alunos da Educação de Jovens e Adultos, de ensinar português de forma errada, o estudo faz uma interessante discussão sobre a adoção de políticas linguísticas à luz das teorias variacionistas da língua, segundo a qual o conceito de certo e errado em língua é relativo.

Bianka Pires André apresenta um artigo em que desenvolve uma discussão sobre a relação entre racismo, emoção e cotidiano escolar, pretendendo oferecer subsídios para ampliar o debate sobre educação e relações etnicorraciais, apontando para a questão da ausência de reconhecimento social que atinge determinados grupos localizados no spectrum de características etnicorraciais acentuadas nas manifestações de racismo. A autora identifica a escola como um dos primeiros lugares onde podemos encontrar esta falta de “reconhecimento” e argumenta que a escola desenha o espaço em que precisam ser trabalhadas as dimensões cognitivo-instrumental, ética e estético-expressiva, e, portanto, devem estar presentes os aspectos afetivo e emocional. A partir desta premissa, o texto pergunta: “a origem étnica de um aluno faz com que ele seja mais ou menos inteligente? Como a emoção pode influenciar o processo de ensino-aprendizagem? Como tem sido o cotidiano escolar de tantos alunos e alunas de origem negra? A discussão é feita a partir de um marco teórico e fundamentada na produção científica na área.

Sandra Maria Gomes de Azevedo apresenta um estudo sobre a implantação de uma metodologia investigativa ligada à melhoria do ensino das ciências em sua interação com a linguagem, desenvolvida em um colégio estadual localizado no Município de Miracema-RJ. O alvo da pesquisa foi o projeto “ABC na Educação Científica – Mão na Massa”, campo para a avaliação da metodologia adotada para “o estímulo à indagação, à crítica e ao desenvolvimento da argumentação oral e escrita”. Foram observadas propostas efetivas de ação ligadas, especialmente, à qualidade de vida e à melhoria do entorno habitado pelos alunos. A autora afirma que o desenvolvimento do referido projeto apresentou resultados no campo do rendimento escolar, considerada a diminuição da taxa de repetência, que repercutiu no decréscimo do índice de evasão e permite uma ilação sobre sua contribuição para a inclusão social. A avaliação do projeto, segundo a autora, sublinha que o processo investigativo em ciências vem colaborando para promover o alfabetismo científico-cultural.

Pautando-se na análise das transformações na organização do trabalho e da produção agrícola familiar provocadas pela modernização da agricultura e pelo crescimento da indústria e setor de serviços, Carlos Alves do Nascimento, Jucyene das Graças Cardoso e Samantha Rezende Mendes apresentam algumas conclusões de duas pesquisas de campo realizadas com agricultores familiares dos municípios de Araguari e Indianópolis, ambos localizados no estado de Minas Gerais. A pesquisa mostra, entre outros aspectos, que a agricultura familiar pesquisada encontra-se fragilizada e há uma tendência de abandono das atividades agrícolas, o que reforça os argumentos de outras pesquisas que defendem o uso de políticas públicas orientadas para a pequena agricultura. Enfatizam, porém, que tais políticas não devem ser voltadas exclusivamente pelas necessidades da produção primária, mas sim pela urgência mais ampla do Desenvolvimento Rural.

Reafirmamos que todos nós do mundo acadêmico temos um papel nesta Revista. Somos os leitores, os críticos e os colaboradores. É nossa expectativa que a contribuição oferecida pelos autores nas diversas edições da Agenda Social possam ter conduzido a novos conceitos e compreensão fecunda da necessidade de construirmos comunidades que envolvam elaboradores e decisores de políticas, universidades e outras instituições, que contribuam para o desenvolvimento da ciência e para a discussão sobre o papel de cada um desses grupos em nossa sociedade. Que não nos faltem a inspiração e a perseverança.

Pela colaboração dos que têm seus artigos publicados e pela leitura dos que se interessarem pela matéria presente neste número, agradecemos.

Sonia Martins de Almeida Nogueira- Editor Chefe
Marlon Gomes Ney- Editor Associado