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Editorial

[v. 3, n.2, mai-ago/2009]

Apresentação

Este número 2, do volume 3, busca trazer a público, em consonância com seu plano de editoração, a produção intelectual de pesquisadores que se identificam por diferentes áreas de formação e vínculos institucionais.

Prevalece uma visão multidisciplinar no acolhimento e na publicação dos textos. Os artigos selecionados abrangem estudos que põem em foco questões que se encontram nas agendas das discussões das comunidades científicas, bem como das universidades e das organizações da sociedade civil, situando-se no cenário atual da realidade brasileira. Nesta perspectiva, entendemos que os temas abordados se constituem contribuições para o programa político de governo.

Arthur Soffiati, doutor em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e professor adjunto da Universidade Federal Fluminense, parte de uma análise histórica para entender o processo de interferência humana no sistema de escoamento de água da sub-bacia da Lagoa Feia para o mar. O autor mostra claramente que desde a primeira grande obra, executada pelo Capitão José de Barcelos, em 1688, o objetivo dos interventores tem sido acelerar o processo de drenagem de terras, motivado por fortes interesses econômicos, como, por exemplo, o de ampliar as terras agricultáveis para o plantio de cana. A Lagoa Feia, ainda uma das maiores do estado do Rio de Janeiro, foi reduzida de 370 km2, em 1898, para 335 km2, em 1930, e para 170 km2, nos dias atuais, uma redução de cerca de 54,0%. O artigo ainda propõe dez políticas para amenizar os problemas recorrentes de cheia na região causados pela intervenção antrópica.

O artigo, “Perfil educacional e fundiário do setor agrícola brasileiro”, de Marlon Gomes Ney, Doutor em Economia Aplicada, Paulo Marcelo de Souza, Doutor em Economia Aplicada e Niraldo José Ponciano, também Doutor em Economia Aplicada, trata do perfil educacional de pequenos, médios e grandes agricultores, visando destacar a relação entre o grau de escolaridade e o uso da terra e, ainda, analisar até que ponto interagem o grau de escolaridade e o nível de renda de empregados no setor primário. Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar – PNAD, de 2007 subsidiam o trabalho. O estudo enfatiza reforma agrária e políticas públicas de educação como ações complementares e fundamentais para a redução da desigualdade de renda rural.

Marina Félix de Melo, mestre em Sociologia e doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Pernambuco, faz um interessante estudo do fenômeno da Missão nas ONGs, procurando entender como ela se configura no atual cenário de mudanças no terceiro setor, caracterizado pelo fortalecimento da relação com o mercado e Estado e pelo aumento da exigência pela profissionalização. Sem se posicionar contra o tipo de racionalidade instrumental hoje presente no Terceiro Setor, mais orientado para a maximização de recursos, de desempenho e ao alcance de metas, a autora discute o risco das ONGs deixarem cada vez mais de se conduzir por sua razão substantiva, que preza as características humanitárias, baseadas nos valores éticos e morais. As Missões devem, portanto, deixar claro não só os objetivos de cada ONG, tais como a defesa dos direitos humanos, combate à discriminação racial e promoção da paz, mas também indicar as estratégias e ações que deverão ser empregadas para que os objetivos sejam alcançados.

Abordando a questão da implantação da Lei 10.639/03, que tornou compulsório e ensino da história e da cultura afro-brasileira nas escolas, e as ações políticas desenvolvidas pelo Ministério da Educação nesse sentido, Ana Carolina Moura, mestranda em Sociologia, Maria Lúcia de Santana Braga, doutora em Sociologia, e Eliane Veras Soares, doutora em Sociologia, desenvolvem sua argumentação estruturando-a em duas seções. A primeira, destaca as contribuições do pensamento social para o desvelamento das relações sociais e a reprodução das desigualdades raciais no Brasil, as lutas do movimento negro e as relações raciais e a educação. Na segunda, assinalam o papel do Programa Diversidade na Universidade nas ações desenvolvidas pelo MEC orientadas para a implantação da referida lei. Em suas considerações, apontam limitações e desafios que se apresentam para que, no contexto de políticas públicas, se efetive o que está disposto no texto legal.

O tema de escola em tempo integral permanece na pauta das reflexões e das discussões neste momento em que a qualidade social da educação impõe desafios à proposta pedagógica das escolas e às ações políticas de enfrentamento dos problemas que situam o sistema de ensino no patamar de baixa qualidade; portanto, é oportuno retomarmos as contradições e os aspectos positivos que estiveram em pauta nas últimas décadas do século XX. Em seu artigo, Rejane Honorio de Sant`Anna, mestranda em Educação pela UERJ, desenvolve um resgate histórico do Programa Especial de Educação, cujo lócus de implantação foram os Centros Integrados de Educação Pública- CIEP’s, nos anos 1980 e 1990. A autora ressalta o debate sobre o ideário dos CIEP’s, apontando os pressupostos de uma educação integral eivada de qualidade emancipatória e o viés ideológico e partidário destacado por alguns autores, a partir das medidas que orientaram a construção e a localização dos CIEP’s e a implantação do programa.



Este número da Agenda Social intenta manter sua característica de ser uma estratégia de divulgação do PPGPS, bem como um espaço de intercâmbio de reflexões e de experiências e de ampliação do número de seus interlocutores. Convidamos os jovens pesquisadores a participar deste trabalho, enviando sua contribuição. Eles são os que darão continuidade ao esforço de construção da ciência.
Agradecemos aos que colaboraram com o presente número.
Prosseguimos no desafio de trazer à luz novos números. Boa leitura!

Sonia Martins de Almeida Nogueira – editor chefe
Marlon Ney Gomes – editor associado